"Minhas lágrimas são mais do que agua e sal a escorrer por meu rosto, são o sangrar de uma alma, o acorrentar e o perder de minhas palavras" H.Assunção

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Farol


Sempre tive o costume de parar e observar tudo ao meu redor procurava o que não possuía, o que era inalcançável, o que eu sempre quis e nunca pude ter, na realidade procurava me encontrar, isolar minha essência, simplesmente me entender.
Olhava a todos com os olhos da alma, via mais do que corpos a caminhar, a gesticular, a afagar, a correr, via o reflexo de uma vida, de suas escolhas, via o que cada um era, o que é até um contraditório, uma vez que de mim nada poderia decifrar, nada conseguia saber.
É incrível como uma vida pode significar nada, quando não fazemos dela uma história pra ser lembrada, pra ser contada, pra ser relembrada pelo louvor de experiências, estórias incríveis de quem apenas ama, de quem apenas deixa acontecer e faz acontecer, ou melhor de quem tem tempo para viver.
Tempo, que na verdade, sempre achei que era inexistente pra mim, pois sempre tive muito a realizar, mesmo que esse muito signifique nada para mim, deixei as emoções de lado, utilizando a razão como verdade única a ser seguida, como um caminho guiado pela luz ofuscante de um farol que me guiava na escuridão de minha própria existência.
Na realidade o meu farol não me guiou por um caminho melhor, me levou por um caminho seguro, sem intempéries, mas, verdadeiramente, sem emoção. Preferiria me chocar contra as rochas e saber o que é sofrer, preferiria vagar pela escuridão na sempre busca do caminho certo e encontrá-lo por minhas sensações, vontades e crenças, do que tê-lo iluminado pela luz de um farol que me leva a um caminho seguro, mas que me retira a emoção de viver e de me sentir vivo.

H.Assunção.

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